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CLUBE DOS PROCRASTINADORES ANÔNIMOS

Sobre o CPA

(Publicado originalmente aqui)

Tinha vontade de escrever sobre esse assunto há um bom tempo. Aliás, guardo um arquivo texto com inúmeros recortes, com temas interessantes para desenvolver. Sem falar nas anotações que fiz durante as férias, em agosto passado, prontas para caírem aqui ao lado de algumas fotos. E não é tudo. Minha lista de tarefas está ali sorrindo para mim, como se me perguntasse “vamos lá?”. Um dia eu vou, tenha fé.

Enfim, queria aproveitar o próximo feriado prolongado, mesmo de plantão, para pensar um pouco sobre esse curioso fenômeno: acumular situações pendentes e adia-las, ou então tomar uma atitude e executar o serviço – mas antes, tomar um café, ler os e-mails, conversar com o amigo… Também tinha pensado em começar a ler um dos muitos livros que gostaria, qualquer um daqueles que também estão ali, sorrindo e dizendo “vamos, André”.

Bom, era para ler um deles ou pensar sobre isso durante o feriado, mas não consegui. Não foi por preguiça, nem negligência. Talvez um pouco de desorganização. Essa e outras tarefas cotidianas da minha vida são atingidas em cheio pela tal procrastinação. E é engraçado, mas ao contrário da maioria, que ouve o termo e imagina um palavrão, eu gostei!

Quer dizer, quando ouvi “procrastinação” pela primeira vez, não tive a chance de perguntar o que significa. Fiquei de procurar seu significado no dicionário. Acabei não procurando nada. Só fui lembrar dessa palavra quando fui conversar com o Inagaki. Ele me disse que o Ian mandou certa vez um link, com um belo texto sobre procrastinação. Ele ainda não tinha visto, mas garantiu que valia a pena a visita. Ficou de mandar o link, mas acho que ele esqueceu.

Não o culpo, longe disso. Provavelmente eu abriria a página e, diante de longos parágrafos com letra tamanho oito, seria obrigado a imprimir e colocar as folhas na mesma pilha onde guardo anotações sobre as imagens das fitas Mini DV da Alemanha, decupadas e pré-roteirizadas, mas longe de se tornar um DVD. Ou meu projeto de podcast coletivo – o Boteco Connection. Dois projetos que comemoram seu aniversário de um ano esse mês.

Deixar as tarefas chatas e trabalhosas (ou mesmo as outras também) para a última hora pode trazer conseqüências graves, como estresse, fadiga ou crises de tensão e nervosismo. Exemplo máximo de procrastinadores vivem enfurnados em salas de aula: todos aprendem desde o primário as emoções maravilhosas e insubstituíveis do trabalho sob pressão. Entre tantas drogas que surgem nesse ambiente, essa talvez seja a mais viciante.

Alguns adiamentos são realmente ruins, pois só deterioram a situação. A frase “faça isso logo e livre-se do problema” faz todo sentido. Mas pense também: por que não se libertar agora, deixar a culpa de lado, fazer algo mais prazeroso agora e assumir seu compromisso inadiável amanhã?

Pois assumo aqui mais uma tarefa: procrastinadores anônimos do Brasil, uni-vos! Vamos criar o clube dos procrastinadores anônimos e convidar nossos amigos, especialmente aqueles heróicos, que estampam na testa sua eficiência, se concentram nos afazeres, resolvem seus problemas com coragem, sabem delegar funções e negar responsabilidades. Essa gente de valor vai reunir dicas para nós, procrastinadores assumidos, chutarmos a bunda da falta de planejamento, de motivação e tempo.

É. Já anotei na minha lista. Um dia eu vou, tenha fé.


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